sexta-feira, 8 de junho de 2012

“O BRASIL NÃO TEM POVO, TEM PUBLICO” – LIMA BARRETO.

O povo brasileiro nunca participou de fato de uma decisão política do país eles simplesmente se conformavam com a situação e no decorrer da história isso foi passando de geração em geração e a população ainda hoje é conformada.




Na antiga Republica, só votavam os homens, os chamados “cidadãos”. Porem havia os mais poderosos, donos de grandes latifúndios, os chamados coronéis, que controlavam tudo em sua região, até mesmo o voto de seus subordinados. Os coronéis estabelecia uma dependência dos seus trabalhadores, através de auxílios para educação dos filhos, em casos de doenças, assim era uma maneira dele mantê-los sobre seu controle, e em troca desses “favores” os coronéis exigiam que seus empregados votassem naquele candidato que ele apoiava, para garantir que isso seria feito, eram mandados jagunços seguir os trabalhadores e aquele que se recusasse a votar no candidato escolhido pelo coronel era castigado. Esse método de controle ficou conhecido como voto de cabresto. A influencia dos coronéis também chegava às cidades. Sendo assim, os poucos cidadãos que tinha direito ao voto, não participavam em nada das decisões políticas e sociais do seu país.
Ainda hoje é possível constatar alguns aspectos presentes desde o tempo da Republica Velha. Na republica atual pode-se perceber que houve algumas, poucas, mudanças, por exemplo, as mulheres, os analfabetos, mendigos que antes eram excluídos do direito do voto, hoje o têm, sendo facultativo para os analfabetos, idosos com mais de 60 anos e jovens entre 16 e 18. O voto que era aberto, hoje é secreto, o que dificulta as fraudes, mas não impede as manipulações. Apesar dessas mudanças na constituição, ainda é possível notar certo “coronelismo” na sociedade. Muitos dos nossos candidatos políticos aproveitam da situação dos eleitores menos favorecidos ou até mesmo da ingenuidade desses, e oferecem “ajudas” que o eleitor precisa, faz promessas, favores, e acabam “conquistando”, ou seja, comprando o voto dessas pessoas. 




REVOLTA DA VACINA

Situação das ruas do Rio de Janeiro
Logo após canudos, no centro urbano ocorreu uma manifestação social que ficou conhecida como revolta da vacina. Quando se percebeu que era necessária uma reforma nas ruas das cidades, mais especificamente, nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, devido às péssimas condições de saneamento, lixo nas ruas, ratos, baratas, mosquitos que transmitiam doenças, iniciou-se uma reurbanização que favorecia a população mais rica e, como em todos os conflitos sociais, prejudicava a população mais pobre. 

Esse processo fez com que essas camadas populares fossem “deslocadas” para os morros longe dos centros, o que deu inicio as favelas. Essa população já estava completamente insatisfeita com as medidas tomadas pelo governo e a situação piorou ainda mais quando o presidente contratou o medico Oswaldo Cruz, que implantou uma vacina obrigatória para toda a população para combater as doenças. Com a obrigatoriedade da vacina, que foi mal recebida e considerada imoral, e a insatisfação social da população, deu-se inicio a uma “luta” entre as camadas populares contra a polícia e os agentes sanitários.

Caricatura da reação popular contra a revolta da vacina obrigatória
(revista da semana, 2.10 1904, coleção Joaquim Vidal, RJ)

LEGISLAÇÃO DA ÉPOCA E O PROCESSO DE EXCLUSÃO SOCIAL


Na antiga republica era considerados cidadãos os que: 
  • Nasciam no Brasil
  • Filhos de pais brasileiros
  •  Filhos de pais brasileiros que não residiam no país a serviço da republica

E apenas tinham direito ao voto:
  • Os brasileiros homens
  •   Acima de 21 anos

Um dos intuitos da república foi dar direito a voto para o povo, mas eram excluídos dessa sociedade os analfabetos, que na época não tinham muitas condições de estudos, por isso a maioria da população não poderia votar, os mendigos e as mulheres.  O voto era aberto o que facilitava, e muito, as fraudes e a manipulação dos votos, até porque o cidadão tinha direito ao voto, mas não o direito de escolher seu representante, pois eram controlados pelos coronéis, proprietários das terras das quais muitos eleitores trabalhavam e viviam. Também na época estava havendo o aumento dos centros urbanos e da industrialização o que ocasionou a exploração da população, mulheres e crianças trabalhavam tanto quanto os homens, mas não tinham seus ganhos justos conforme deveria ser, pois ganhavam muito menos que eles. Situações como essas que veio ocasionar várias revoltas mais tarde.

sexta-feira, 25 de maio de 2012


"Nordeste,
Sob teu céu não há nuvens.
O sol castiga, não chove.
A seca mata.
Nordeste,
Tuas cacimbas, teus açudes, teus rios
Estão secos.
Teu povo sofre.
Nordeste,
A fome e a sede te consomem.
Tuas crianças não resistes à subnutrição,
À diarréia.
Teus roçados estão queimados.
Tuas criações estão mortas.
Nordeste,
Teus latifúndios improdutivos
Te transformam em palco
De dramas e agitações sociais.
Quantas tragédias humanas,
Desumanas.
Quanta dominação,
Opressão.
Nordeste,
Quantas Marias, Severinos e Franciscos
Abandonados à própria sorte.
Sorte? Morte!
Quanto abuso político
Quanta falta de ética
No trato com tua gente.
Nordeste,
A visão da tua desgraça
Entristece os corações mais sensíveis;
Mas são tão poucos!”
(Chicão de Assis)


GUERRA DE CANUDOS

Em meio ao abandono do governo, a miséria, a seca, as péssimas condições de vida, etc. os sertanejos montaram uma “comunidade”, Belo Monte, liderada pelo Antonio conselheiro e  assim lutavam por um reconhecimento do governo. Vista como uma comunidade monarquista, contra o governo republicano, foi severamente repreendida, a chamada Guerra de Canudos. Essa região sofreu muito e lutou bravamente pelo seus direitos, mesmo ganhando várias vezes das tropas militares, enfim foram derrotados e arrasados brutalmente, milhares de pessoas foram mortas e a comunidade foi destruída por completo.

                                                               GUERRA DO CONTESTADO

Assim também acabou a disputa por terra no sul do país, chamada de Guerra do Contestados. Semelhante a Guerra de Canudos, foi uma disputa pela posse de terra entre os estados SC e PR. Devido à miséria e as condições em que se encontravam os sertanejos explorados pelos grandes latifundiários formaram então comunidades lideradas pelo Beato José Maria que lutou bravamente junto com sua comunidade pelo seu direito à posse da terra em que viviam e que o governo declarara como devoluta. Essa luta teve algumas poucas vitórias sobre os militares, mas teve seu fim mais rápido comparado à Canudos, porém com muitas mortes assim como este.

Ambas as lutas tinham um caráter religioso.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

“A questão social é caso de polícia”


"E de fato a questão social era um caso de polícia",  pois eram péssimas as condições social dessa população e por isso ocorreram muitas revoltas sociais. Porém todo e qualquer tipo de movimentos, manifestações, lutas, fossem por posse de terras ou fosse as lutas operárias, sempre havia a intervenção da policia para impedi-los e reprimi-los, de forma violenta, na qual acabavam gerando muitos feridos e até mortes se preciso, como foi o caso da Guerra de Canudos e Contestados, no começo da República, e os movimentos das ligas operárias, no inicio da industrialização.